Sempre soubemos: assim que se trata de perder peso, falam-te de cardio. E é verdade, o cardio vai fazer-te “emagrecer”. Mas atenção, o cardio não é simplesmente correr quilómetros na esperança de ver a gordura derreter (e muitas vezes, é aí que o erro começa).
Porque um cardio mal adaptado, em vez de impulsionar o teu metabolismo, pode, pelo contrário, desacelerá-lo. Sim, leste bem: mal dosado, pode até travar o teu progresso e produzir o efeito inverso ao que procuras.
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[Inserir aqui widget: Calculadora/Quiz] Tipo: Calculadora de perfil cardio. Título: Questionário Cardio!. 7 perguntas (Tempo, Experiência, Musculação, Stress, Preferência, Objetivo). Resultado: Perfil HIIT, LISS ou Misto.
As duas grandes famílias de cardio: alta vs. baixa intensidade
Temos, portanto, diferentes escolhas de cardio que vão depender acima de tudo de ti, do teu ritmo, e do tipo de esforço que gostas de fazer, muito mais do que do resultado que isso vai trazer. (Porque um esforço que gostas, repetes. E é precisamente isso, o verdadeiro segredo da progressão.)
A escolha do cardio ideal para a perda de peso depende, portanto, dos teus objetivos e, sobretudo, da tua capacidade de perseverar. Vamos analisar juntos as duas principais abordagens.
O cardio de alta intensidade (HIIT)
O HIIT (High-Intensity Interval Training) alterna esforços intensos (85 a 95% da tua frequência cardíaca máxima) e fases de recuperação muito breves. Por exemplo, o protocolo Tabata exige 20 segundos de esforço máximo seguidos de 10 segundos de descanso, repetidos 8 vezes. É o tipo de formato que se encontra muito em CrossFit, um método de treino que se baseia amplamente no trabalho em intervalos e na variação de intensidade. Estas sessões curtas mas explosivas podem incluir burpees, sprints de bicicleta ou subidas em cadeira.
A grande vantagem do HIIT é o efeito EPOC⟧PH43⟧ (excesso de consumo de oxigénio pós-exercício). Mesmo após o teu treino, o teu metabolismo permanece ativado durante várias horas, continuando a queimar calorias. Podemos comparar isso a juros compostos: investes um esforço intenso, e o teu corpo continua a “fazer render” esse gasto queimando ainda após a sessão. (Em suma, ganhas mesmo depois de parar de suar.)
Um treino de 20 minutos bem estruturado pode assim superar uma sessão de cardio clássico em termos de gasto calórico total. Mas atenção: este tipo de esforço requer uma boa base física e um verdadeiro sentido de regularidade. Os protocolos “milagrosos” de 10 minutos que vemos online muitas vezes não ultrapassam 70% da frequência cardíaca máxima, limitando os efeitos reais de queima de gordura.

O cardio de baixa intensidade (LISS)
O LISS (Low-Intensity Steady State) mantém um esforço moderado (60-70% da frequência cardíaca máxima) durante 30 a 60 minutos. Caminhada inclinada, natação de bruços ou ciclismo a velocidade constante são exemplos concretos.
A sua vantagem reside na facilidade de integração numa rotina. Podes ouvir um podcast enquanto caminhas, ver um vídeo enquanto pedalas tranquilamente, ou fazer uma sessão após uma sessão de musculação para uma recuperação ativa. Ao contrário do HIIT, não esgota o teu sistema nervoso, permitindo uma prática regular sem risco de sobrecarga.
Ao queimar principalmente gorduras em vez de carboidratos, o LISS preserva a tua massa muscular. Um estudo mostra que melhora mais eficazmente a distribuição de gordura em pessoas com excesso de peso. No entanto, é necessário contar duas a três vezes mais tempo para alcançar um gasto calórico equivalente a uma sessão de HIIT.
- Mais adequado para objetivos de preservação muscular
- Ideal para recuperações ativas
- Acessível a todos os níveis de condição física
- Pode ser associado a outras atividades diárias

Qual cardio escolher de acordo com o teu objetivo principal?
Bom, agora que conhecemos as duas principais formas de cardio, deves estar a perguntar-te: qual é o mais eficaz para ti?
Vamos ver juntos dois perfis tipo para melhor compreender.
Objetivo nº1: perder peso o mais rapidamente possível
Queres perder peso rapidamente? O cardio de alta intensidade (HIIT) é claramente o teu aliado. Alternando fases de esforço máximo e curtas recuperações, podes queimar mais calorias em 20 minutos do que numa hora de caminhada rápida.
Mas esta eficácia tem um reverso: o HIIT exige muito do teu sistema nervoso e consome as tuas reservas de glicogénio. Combinar musculação e HIIT no mesmo dia pode ter um impacto nos teus progressos musculares… ou não, tudo depende de como constróis as tuas sessões.
Por exemplo, em CrossFit, pratica-se justamente um trabalho em intervalos, mas com cargas por vezes pesadas. Resultado: consegue-se ganhar músculo enquanto se queima gordura. Porquê? Porque os aportes calóricos são muitas vezes elevados ao lado, e os exercícios integram uma verdadeira intensidade muscular. (É este subtil equilíbrio entre carga, nutrição e recuperação que faz toda a diferença.)
No entanto, para alguém que está a começar, este tipo de treino vai inevitavelmente exigir muita energia. O HIIT é exigente: é preciso dosá-lo, respeitá-lo, e dar-lhe tempo para agir sem queimar etapas. (É melhor ir progressivamente do que esgotar-se na primeira semana.)
Objetivo nº2: perder gordura preservando a massa muscular
Portanto, já percebeste, se o HIIT te permite perder peso muito rapidamente. O LISS, por outro lado, oferece-te uma perda mais progressiva, mais lenta, mas muitas vezes mais estável ao longo do tempo. E acima de tudo, permite-te preservar melhor a tua massa muscular. (Desde que, como no HIIT, faças um pouco de musculação ao lado.)
Ao contrário do HIIT, o LISS não esgota as tuas reservas energéticas. Ajuda-te a queimar calorias sem consumir os teus músculos, o que o torna uma opção perfeita para afinar a tua silhueta sem comprometer os teus ganhos.
Este tipo de esforço também favorece a recuperação ativa entre duas sessões mais intensas. Ajuda-te a manter uma boa circulação, melhor oxigenação e, portanto, uma progressão constante. Para acompanhar a tua evolução e ajustar o teu treino, utiliza o nosso calculador de IMM.
| Critério | Cardio de Alta Intensidade (HIIT) | Cardio de Baixa Intensidade (LISS) |
|---|---|---|
| Gasto calórico / minuto | Muito elevado | Moderado a baixo |
| Impacto na massa muscular | Risco elevado de interferência (catabolismo) | Muito baixo, ideal para preservação |
| Impacto na recuperação (nervosa & articular) | Elevado | Baixo |
| Duração da sessão necessária | Curta (15-25 min) | Longa (45-60+ min) |
| Durabilidade / Aderência a longo prazo | Difícil para muitos | Fácil de integrar |
| Ideal para | Perda de peso rápida | Definição, preservação do músculo |
Entre estas duas abordagens, existe um compromisso: combinar 1 a 2 sessões de HIIT com 2 a 3 de LISS. Mas esta estratégia é reservada para praticantes experientes. Os iniciantes devem privilegiar o LISS, uma base sólida para progredir sem desânimo.
Lembra-te da equação imprescindível: um défice calórico controlado continua a ser a chave. O teu melhor aliado continua a ser o cardio que praticas sem frustração, semana após semana.


O erro a não cometer: negligenciar a musculação
Bom, falámos muito de cardio para perder peso, mas um dos maiores erros que muitas pessoas cometem é negligenciar a musculação. É, no entanto, muito simples de entender: quanto mais massa muscular tens, mais energia o teu corpo precisa para funcionar no dia a dia.
Cada 500 g de músculo queima cerca de 100 kcal por dia, em repouso. Sim, leste bem: mesmo sem fazer nada, o teu corpo consome mais se fores musculado. Resultado: não perdes necessariamente mais peso na balança, mas ficas mais definido, mais tonificado, porque o teu metabolismo trabalha para ti constantemente.
A melhor maneira de preservar este músculo é simplesmente fazer musculação. Fazer apenas cardio (especialmente LISS) provavelmente fará com que percas peso, mas há o risco de pareceres o que se chama de skinny fat: magro, mas sem tonicidade nem forma muscular visível.
Sempre que levantas pesos pesados, crias microfissuras nos teus músculos. Estas pequenas rupturas são normais: o teu corpo repara-as depois, e é precisamente este processo que faz o músculo crescer e fortalecer-se. E este trabalho de reparação também consome energia. (Ou seja, continuas a queimar mesmo após a sessão.)
Então sim ao cardio, mas não sem musculação. E inversamente, a musculação sozinha também não será suficiente: os dois complementam-se perfeitamente se o teu objetivo é queimar gordura enquanto esculpes o teu corpo.
O défice calórico, mais importante que o cardio
O cardio⟧PH117⟧ é apenas uma alavanca. Como o nome indica, em cardio há cardíaco, portanto, coração. O cardio não serve originalmente para perder peso, mas para melhorar a saúde do teu coração, aumentar a tua resistência e apoiar o teu organismo nos seus esforços diários.
A perda de peso depende de um único fator: gastar mais calorias do que consomes. O teu corpo age como uma conta bancária: as refeições são depósitos, os gastos energéticos são levantamentos. Um défice ocorre quando os levantamentos excedem os depósitos, forçando o organismo a usar as suas reservas de gordura. Então, já percebeste, seja nas finanças ou na tua dieta, terás de analisar bem esses gastos e depósitos.
E para te permitir calcular tudo isso sem complicações, criámos um calculador de metabolismo basal que será a tua ferramenta inicial para evitar começar tudo de forma errada.
Portanto, já percebeste, um défice demasiado acentuado (por exemplo, 700 kcal a menos por dia) pode prejudicar o teu corpo: fadiga, perda muscular, metabolismo lento… Opta antes por um défice moderado (cerca de 200 a 500 kcal por dia), compatível com a preservação da tua massa muscular. Podes, por exemplo, eliminar cerca de 300 kcal diárias através de uma combinação de atividade física e uma ligeira redução alimentar. O cardio reforça o gasto, mas sem controlo alimentar, os seus efeitos permanecem limitados. Um défice duradouro vale sempre mais do que um esforço extremo pontual.
A perseverança supera sempre a intensidade. Um défice leve mas regular é mais eficaz do que uma dieta drástica. Uma caminhada diária de 30 minutos, combinada com refeições equilibradas, já cria um défice sustentável. Um profissional pode então ajudar-te a ajustar as tuas ingestões de acordo com o teu metabolismo.
Então, já percebeste, um cardio sem uma boa alimentação para perda de peso não te servirá… Hmm… de muito.

A FAQ do “Por que não perco peso apesar do cardio?”
Aqui está um lembrete das principais razões que podem explicar por que não perdes (ou deixaste de perder) peso apesar da tua atividade cardio.
- O teu défice calórico já não está garantido: o teu corpo adaptou-se aos teus esforços e gasta menos energia do que antes. Solução: reavalia as tuas ingestões com um método fiável (como as equações de Harris-Benedict) e introduz variações de intensidade nas tuas sessões. Conselho: alterna entre cardio de baixa intensidade (caminhada rápida) e sessões curtas mas intensas (sprints).
- Estás a fazer demasiado cardio intenso: demasiadas sessões exigentes aumentam o cortisol⟧PH22⟧, a hormona do stress, o que favorece a retenção de água e os desejos alimentares. Solução: reduz um pouco a frequência e opta por atividades mais suaves como natação ou elíptica, que limitam o catabolismo muscular. Conselho: mantém 1 a 2 sessões de alta intensidade por semana no máximo.
- Estás stressado(a) ou falta-te sono: estes dois fatores perturbam a leptina (saciedade) e a grelina (fome), o que atrasa os teus resultados. Solução: dorme pelo menos 7 a 8 horas por noite e concede-te pausas ativas (caminhada, alongamentos) para baixar o teu nível de cortisol. Conselho: evita ecrãs uma hora antes de dormir.
- Estás a negligenciar a musculação: sem estimulação muscular, o teu metabolismo desacelera. Solução: adiciona 2 a 3 sessões de fortalecimento muscular por semana (com halteres ou peso corporal). Conselho: dá preferência a exercícios compostos como agachamentos ou elevações para maximizar o efeito pós-queima.
- Confundes peso com composição corporal: a balança pode enganar. Podes estar a perder gordura enquanto ganhas músculo. Solução: confia em indicadores mais concretos (medida da cintura, fotos) e assegura-te de incluir proteínas em cada refeição.
Défice calórico e velocidade de perda
- “Effect of two different rates of weight loss on body composition and strength” (Perda lenta ~0,7 %/semana preserva melhor a massa magra do que uma perda rápida 1,4 %/semana) DOI: DOI
Proteínas e preservação muscular
- “Higher compared with lower dietary protein during an energy deficit combined with intense exercise promotes greater lean mass gain” (Ingestão elevada de proteínas durante um défice favorece a manutenção e até o ganho de massa magra) DOI: DOI
- “A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training–induced gains” (Acima de 1,6 g/kg/dia, os benefícios estagnam para a hipertrofia em condições normais) DOI: DOI
Cardio, HIIT e interferências
- “Concurrent training: a meta-analysis examining interference of aerobic and resistance exercises” (O cardio pode limitar a força se for muito frequente, especialmente a corrida) DOI: DOI
- “Effects of high-intensity interval training vs. moderate-intensity continuous training on body fat” (HIIT tão eficaz quanto o cardio contínuo, mas mais eficiente em termos de tempo) DOI: DOI